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1) Deixar de falar "com Deus" para apenas falar "sobre" Deus, reduzindo-o unicamente ao objeto de seu estudo.


2) Desrespeitar as reflexões bíblicas dos leigos.

3) Tornar-se excessivamente racional, a ponto de confinar a vida cristã a uma mera questão de posições teológicas.

4) Formular proposições sem os devidos cuidados, uma vez que muitas pessoas farão de suas palavras uma norma de fé e conduta.

5) Ser facilmente persuadido de suas posições doutrinárias por descobertas científicas que não desfrutam do consenso das autoridades no assunto.

6) Aceitar apenas o que o satisfaz ou o impressiona intelectualmente.

7) Enfatizar uma única doutrina das Escrituras, minimizando as demais.

8) Manipular a verdade, transformando-a em um meio de triunfo pessoal.

9) Construir uma posição doutrinária fundamentando-a em passagens bíblicas controversas.

10) Basear-se em experiências individuais e exclusivas, sem respaldo bíblico, para defender suas posições.

11) Ser excessivamente relativista, a ponto de não ser capaz de definir os conceitos bíblicos absolutos.

12) Não possuir uma posição definida sobre os pontos doutrinários fundamentais da fé cristã.

13) Criar conjetura em campos da ciência que não conhece o suficiente.

14) Intentar qualquer tipo de sincretismo com outras teologias não-cristãs ou pseudocristãs.

Princípios de um bom governo na igreja

Por Rodolfo Montosa

Jesus gerou a Igreja-organismo. E a Igreja-organismo, por sua vez, produziu a Igreja-organização. E fez isso para poder operar, expressar-se, viver em seu contexto e geração. A Igreja-organização deve promover e estimular a Igreja-organismo, pois foi criada exclusivamente para isso. A história nos ensina, contudo, que a tendência natural da Igreja-organização é buscar seus próprios interesses, dissociando-se da Igreja-organismo. A Igreja-organismo constrói sua autoridade na fé, no sangue muitas vezes derramado de seus mártires, nos carismas e na unidade da comunidade. Ao constituir, com as melhores intenções, a Igreja-organização, dota-a de poder. Então, a Igreja-instituição (ou Igreja-organização) passa a exercer o poder recebido, esquecendo-se, muitas vezes, que esse poder não é seu originalmente: “A lógica do poder é querer mais poder, conservar-se, preservar-se, entrar em compromissos e, caso corra risco, fazer concessões para sobreviver”. Assim caminha a Igreja-organização em busca de sua própria autonomia, pois nela existe a semente e o instinto de sobrevivência. Insubordina-se, por natureza, sempre que não for submetida a forças que a obriguem a se render à Igreja-organismo. Corre todos os riscos que a própria humanidade corre de se corromper, desviar-se de sua finalidade e se distanciar de seu Criador.

É possível que o governo da Igreja possa se defender de si mesmo? É possível construir mecanismos de blindagem da inclinação natural à corrupção? É possível assegurar que a Igreja-organização cumpra fielmente sua missão em submissão à Igreja-organismo?

Em primeiro lugar, existe um ambiente estranhamente favorável para a depuração de todo o tipo de corrupção no governo da Igreja. Esse ambiente é a perseguição. Durante todo tipo de perseguição na história da Igreja, e não é diferente nos dias de hoje, somente permaneceram (nem sempre vivos) aqueles que verdadeiramente pertenciam à Igreja-organismo. A marca dos líderes investidos na posição de governo da Igreja perseguida é semelhante ao dos dias de Atos. Assim como Estêvão, colocado na posição de governo da Igreja, martirizado por sua fé, “a autoridade destas pessoas vem pela vivência exemplar do mistério de Cristo e não pelo poder sacro de que foram investidas”.

Mas o ambiente de liberdade (muitas vezes, enganosa liberdade, como nos dias da institucionalização da Igreja por Constantino) exige práticas e princípios que, ao menos, tentam mitigar esse risco de perversão e devassidão. Alguns princípios podem, sim, ajudar no difícil desafio de governar a Igreja-organização no foco da Igreja-organismo, tais como: liderança partilhada, flexibilidade, transparência, eqüidade, prestação de contas, cumprimento das leis e ética.

O princípio da flexibilidade

“Desde os tempos de Jesus, a liderança tinha de ser partilhada”. E Jesus demonstrou isso quando enviou os apóstolos, de dois em dois, para proclamar o evangelho. Fundaram novas Igrejas, constituíram grupos de líderes, chamados “anciãos” (porque eram membros mais antigos), ou “bispos” (literalmente, “os que supervisionam”), ou “diáconos” (que significa “servos”). O título não importava, mas, sim, a tarefa — supervisão e serviço. Sempre grupos de pessoas. Toda a centralização excessiva aumenta o risco de desvio da Igreja-organização. A Bíblia ensina claramente que os dons do Espírito Santo são distribuídos, o que justifica que o governo deve incluir e compartilhar o poder.

“Sobre o tipo de governo que uma Igreja deve adotar, a Bíblia ensina princípios e não padrões”, por mais que alguns queiram insistir que são padrões as estruturas X,Y ou Z ou os cargos e funções A, B ou C. Por essa razão, assim como as soluções foram acontecendo ao longo da Igreja neotestamentária (p. ex.: Estêvão), o governo da Igreja deve ser flexível o suficiente e as estruturas, os códigos e os mecanismos de decisão surgirem como solução para as questões de seu tempo e, quando necessário, serem transformados, para que os novos desafios sejam atendidos. Na prática observada, entretanto, “as estruturas das igrejas têm, repetidamente, aprisionado a Igreja, assim como os contêineres, que inibem a fermentação, podem matar a vida do vinho — e ninguém pode sentir o aroma e o sabor”. A Igreja-organização deve servir e se adaptar às necessidades da Igreja-organismo, não o contrário.

O princípio da transparência

Outro importante princípio no governo da Igreja deve ser a transparência. Os líderes são chamados, assim como todos os cristãos, para andar na verdade, na luz, para fugir do que é obscuro, oculto, escuso. A coerência chama à existência a transparência. A transparência deve estar presente na vida pessoal, nos relacionamentos, na vida financeira e, é claro, na vida ministerial. Nesta última, ser um líder transparente é satisfazer às diferentes necessidades de informação dos diversos públicos com os quais a Igreja se relaciona, dentro de sua denominação, entre os diversos líderes internos, entre seus participantes e na comunidade em que está inserida. Um governo transparente tem apoio espiritual por meio da oração, desperta a confiança daqueles que estão à sua volta e mostra sua dependência do Espírito Santo.

O princípio da eqüidade

O princípio da eqüidade se refere ao tratamento justo e equânime entre os líderes e os diversos níveis de estrutura de governo. Na verdade, a eqüidade está entre as práticas de boa governança que mais pode estimular o bom funcionamento do trabalho. Isso porque, pela eqüidade, é possível despertar nas pessoas o sentimento de que todos, independente da função que desempenham, têm a mesma importância para o resultado final da missão. Entre os problemas para colocar a eqüidade em prática, inclusive na igreja, estão as preferências pessoais e o nível de afetividade para com determinadas pessoas ou, até mesmo, para com algumas áreas de atuação. Dois textos bíblicos inspiram o tema: “Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas” (Tg 2.1) e “Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, e sois redargüidos pela lei como transgressores” (Tg 2.9).

O princípio da prestação de contas

Estamos diante de mais um importante princípio para um bom governo: a prestação de contas. Em Lucas 16, Jesus conta mais uma parábola para despertar seus ouvintes quanto à necessidade da prestação de contas. Para o rico senhor da parábola, a prestação de contas era um pré-requisito, uma prática que deveria ser natural e contínua. Caso contrário, desabilitaria o mordomo a permanecer no cargo. Na prática, a prestação de contas serve para conferir se os mordomos que servem na Casa de Deus têm a visão afinada com a do seu Senhor. Representa, acima de tudo, segurança, tanto para quem presta contas como para quem recebe a prestação de contas. Isso porque, caso o mordomo planeje executar o serviço de outra maneira que não aquela estipulada (ou seja, fora da visão), há tempo para que o erro seja evitado.

A prestação de contas nada mais é que o relatório periódico feito por parte dos agentes de governança a quem os elegeu, nomeou e/ou contratou. É algo difícil de se cumprir, pois incorre em avaliação e exposição. Poucos são aqueles que gostam ou aceitam ser avaliados. A prestação de contas deve ser periódica, ter os critérios definidos e comparados com períodos anteriores e envolver números (critérios objetivos) e histórias (critérios subjetivos). Ela ajuda o líder a se proteger de si mesmo, atentando para o fato de que quase todos, conscientemente ou não, têm uma inclinação a ser manipulador, ou seja, “alguém que explora, usa e controla a si mesmo e os outros como ‘coisas’, de forma que cause o próprio fracasso”.

O princípio do cumprimento às leis

Faz-se necessário enfatizar que um bom governo da Igreja deve cumprir as leis do país em que está inserido. Alguns líderes acreditam que, por fazerem parte do povo de Deus, estão acima das leis dos homens, típica soberba da Igreja-organização em processo de corrupção pelo poder. Para cumprir as leis, um líder deve observar, de maneira preventiva e perspicaz, as implicações legais de todas as decisões tomadas e transações realizadas em sua igreja. Afinal, como Paulo escreveu aos irmãos da Igreja de Corinto, “zelamos do que é honesto, não só diante do Senhor, mas também diante dos homens” (2Co 8.21). Perante o Sistema Jurídico brasileiro, o “não cumprir por ignorância” não é válido, por isso, é melhor se precaver buscando uma boa assessoria legal. Isso é ser responsável.

O princípio ético

Um último princípio para um bom governo é a ética. É a definição dos valores que regem o comportamento dos integrantes da Igreja-organização em seus relacionamentos internos e externos. Nos aspectos internos, podem-se abordar as interações dos componentes da Igreja-organização com seus pares, autoridades estabelecidas, outros departamentos ou ministérios internos. Nos aspectos externos, podem-se estabelecer as interações com pessoas e órgãos públicos, fornecedores de bens e serviços, meio ambiente, outras igrejas, sindicatos e associações e partidos políticos. Para melhor compreensão deste princípio, vale diferenciar o que é ético, o que é moral e o que é legal.

“Ética se relaciona ao ambiente mais imediato da organização ou da igreja, como seus padrões de comportamento, política, valores, relacionamentos e tomada de decisões. Já moralidade, baseia-se num padrão absoluto — a Bíblia. Por último, legalidade se refere a uma lei codificada”.

De maneira simples, se alguma coisa é ilegal, é porque está violando a lei. Se é imoral, é porque não está em conformidade com algum padrão bíblico. Se é antiético, é porque está em desacordo com práticas e padrões aceitos na comunidade mais próxima. A Igreja-organização pode viver diversas situações resultantes da combinação desses fatores. Por exemplo, situações ilegais, mas que não são imorais. Situações éticas, mas ilegais. Situações imorais, porém, eticamente aceitas na comunidade.

Esses são apenas alguns exemplos. O alvo da Igreja-organização é alinhar seus padrões éticos aos valores morais bíblicos e à lei codificada que a rege perante as autoridades públicas.

Notas:

1 BOFF, Leonardo. Igreja: carisma e poder, p.91.
2 Ibid., p. 87.
3 KEELEY, Robin (org.). Fundamentos da teologia cristã, p. 274.
4 RYRIE, Charles C.. Teologia Básica, p. 467.
5 SNYDER, Howard A. e RUNYON, Daniel. Decoding the Church, p. 61.
6 DUNNAM, Maxie e HERBERTSON, Gary. The manipulator and the Church, p. 83.
7 BIEHL, Bobb e ENGSTROM, Ted. The effective board member, p.9.

O autor é diretor do Instituto Jetro. www.institutojetro.com


Igreja - Realidade espiritual e organizacional

Por Rodolfo Montosa

Temos percebido uma constante e crescente tensão entre dois extremos na liderança cristã-evangélica. De um lado, aqueles que passo a chamar de “profetas espiritualistas”, porque, em nome da essência relacional do evangelho, da sublimidade da missão, da profundidade existencial do conteúdo bíblico e da adoração contemplativa, sacam seu arsenal verborrágico contra toda e qualquer expressão organizacional da Igreja, fixando-se, obcecadamente, em comparação inexata e parcial com empresas de mercado. Do outro lado, aqueles que passo a chamar de “líderes pragmáticos”, porque em nome do reino de Deus, da carência dos necessitados, do cumprimento de seu chamamento e de sua própria visão, voltam-se, alucinadamente, para a obtenção de resultados objetivos em seus ministérios, ignorando, por completo, a crítica dos primeiros ou qualquer outro tipo de reflexão teológico-bíblica, por considerarem iniciativas desse tipo absoluta perda de tempo. Quem, afinal, está certo? Simultaneamente, os dois e nenhum. Sendo assim, passemos a algumas questões.

Crentes são clientes? Congregação é uma franquia? Pregação é marketing? Apelo é fechamento de vendas? Aconselhamento, ensino e orações são serviços prestados? E o que dizer do dízimo, seria o pagamento pelos serviços? Contudo, têm empregados, recolhem encargos, têm CNPJ, fazem sua contabilidade, têm fluxo financeiro constante de recebimentos e pagamentos, acumulam patrimônio, realizam assembléias, fazem prestação de contas, localizam-se em um endereço estratégico, estão na lista telefônica, contratam, destratam e muito mais. O que é isso, então? Simultaneamente, a realidade espiritual e organizacional da Igreja.

Na realidade espiritual, tudo está centrado em Cristo: sua morte sacrificial, sua ressurreição, seu perdão, nosso arrependimento, nossa confissão, a reconciliação, o reaprendizado, a transformação, a constatação externa da mudança interior, o testemunho, a divulgação dessa graça, a permanente renúncia, o crescimento espiritual, o relacionamento renovado com Deus e com o próximo.

Na realidade organizacional, tudo está centrado nas pessoas: a regularidade dos encontros, seu conteúdo, o atendimento das necessidades, a formação educacional, o local, o horário, o programa, o som, as cadeiras, a decoração, os compromissos financeiros conseqüentes, os desafios para alcançar outros, a mobilização para fora, o senso do ir, do fazer acontecer, do se importar.

O grande desafio para todos, então, é conciliar essas duas realidades concomitantes. Não se levantar contra uma, como forma de exaltar a outra. Muito menos focalizar uma e ignorar a outra. Buscar as motivações santas e íntegras do coração na melhor excelência e destreza das mãos.

Se os espiritualistas insistirem em ignorar a realidade organizacional da Igreja, agindo inconseqüentemente, sem buscar resultados para o reino de Deus, por favor, renunciem seus salários, doem o patrimônio acumulado, dispensem os empregados, rasguem as atas, abandonem os programas de ensino, as liturgias programadas, os planos futuros, etc. Estão convidados à frustração ministerial. Mas não se esqueçam de apagar as luzes no final.

Se os pragmáticos insistirem em ignorar a realidade espiritual da Igreja, agindo sem temor e santidade, por favor, aproveitem ao máximo tudo o que arrecadarem, insuflem-se ao extremo do prazer da autopromoção, pois, naquele dia, muitos dirão a Jesus: “Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? Então, Ele lhes dirá claramente: ‘Nunca os conheci. Afastem-se de mim, vocês que praticam o mal!’”.

Aos que buscam o cumprimento integral de seu chamamento, mesmo sabendo da permanente tensão dessas realidades, busquem com alegria e com o coração o ministério de pastor, aprendendo e reaprendendo conforme os dons do Espírito distribuídos na Igreja, liderando e conduzindo com excelência. Entendam a importância da equipe que complementa e viabiliza a continuidade da missão. Respeitem as leis naturais do organismo e da organização. Tenham piedade e competência. Contemplem-se na adoração e atuem com responsabilidade social. Sejam servos e mordomos. Manejem bem a Palavra da Verdade e administrem as finanças com prudência e inteligência. Tenham toda a iniciativa no servir e toda a dependência de Deus no liderar. Vivam com sabedoria e intensidade as realidades espiritual e organizacional da Igreja.

O autor é diretor do Instituto Jetro. www.institutojetro.com

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A EFICÁCIA DE JESUS NA FORMAÇÃO DE SUA EQUIPE

Por Rodolfo Montosa

Provavelmente, seu sonho, como líder, é ter uma equipe capaz e apaixonada pela obra e por Deus. Uma equipe visionária e eficiente. Parece utopia, mas não é. Jesus teve uma equipe cheia de falhas, formada por pecadores como nós, mas que foi amplamente vencedora. Para termos uma equipe semelhante, precisamos aprender e conhecer os passos de Jesus ao selecionar o seu “time”. Seguem seis princípios de sua liderança

1. Jesus identificou o perfil de seus comandados

“Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” (Mc 1.17).

Jesus buscava ajudadores que tivessem duas características: paixão e competência. As perguntas fundamentais na escolha de uma equipe são: “Onde está o seu coração?” e “Qual é a sua competência?”. Entendo por “competência” o conjunto de habilidades, unção, conhecimento e experiência. Já a “paixão” ou “coração”, é o caráter, a intenção, o compromisso e os valores pessoais.

Nas igrejas, há aqueles que são apaixonados por um ministério, mas não demonstram competência para atuar nele. Como exemplo, existem aqueles que se sentem plenamente realizados atuando no louvor, mas basta ouvi-los cantar para saber que não têm vocação para o canto fora das quatro paredes do seu banheiro. Em alguns casos, um pouco de técnica resolve. Em outros, não.

Há, ainda, o crente competente para cantar, mas que não coloca o coração nisso. Assim, o conhecimento é quase inútil, a dedicação se torna obsoleta e os frutos do ministério, escassos. O melhor é tentar atrair o coração dessa pessoa, mas sem autoritarismo. Isso precisa ser obra do Espírito Santo e não de homens. Caso essa atração não ocorra, cabe ao líder planejar uma substituição. Nem sempre o conhecimento basta.

Por fim, há aqueles que atuam em área onde são incompetentes e não têm nela o seu coração. Geralmente, estão lá por determinação de alguém que o “empurra”, na melhor das intenções. Aí só há uma saída: retire-o de lá com urgência. Não receie abrir lacunas. Ore e Deus proverá.

2. Jesus selecionou alguns

“Naqueles dias, retirou-se para o monte, a fim de orar, e passou a noite orando a Deus. E, quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles...” (Lc 6.12,13).

Não vemos outra forma de alcançarmos um ministério bem-sucedido a não ser pela busca incessante da direção do Pai. Jesus orou antes de formar sua equipe. Um princípio básico, simples e eficiente. Jesus se dedicou pessoalmente ao processo de escolha e foi pró-ativo nessa seleção. Conviveu com seus discípulos, caminhou com eles, conheceu seus anseios.

Um ponto interessante na atitude de Jesus é que Ele escolheu justamente aqueles que tinham uma ocupação. Acreditamos que é melhor liderar pessoas engajadas em determinado trabalho — ou que pelo menos já o foram — do que liderar pessoas desocupadas. Pessoas trabalhadoras se encaixam melhor no perfil de uma equipe ideal. Estar ocupado significa se envolver naquilo a que se propõe. Ou seja, dedicar o coração, a alma e a vida.

3. Jesus capacitou os escolhidos

Não há como falar sobre o processo de escolha dos discípulos sem fazer alusão à frase “Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos”. No reino de Deus, capacitação é primordial. “Então, começou a ensinar seus discípulos”. É o que narra Marcos quando fala sobre essa relação de ensino entre Jesus e sua equipe. O próprio Espírito Santo foi enviado com a tarefa de nos “ensinar todas as coisas”.

A capacitação é o ato intencional de fornecer meios para proporcionar uma aprendizagem que, invariavelmente, representa mudança no comportamento humano. E essa mudança decorre dos novos conhecimentos, do desenvolvimento das habilidades, da lapidação das atitudes e da formação de conceitos.

Treinar um membro da equipe pode ser trabalhoso, mas é fundamental para que o ministério não se perca. Quando a igreja tem membros bem treinados, ela se desenvolve melhor. E a recíproca é verdadeira. Igrejas maduras, bem desenvolvidas, valorizam a capacitação.

4. Jesus deu o direcionamento

Jesus também orientou como os setenta deveriam agir (Lc 10.1). Falou desde o que deveriam levar até como deveriam se comportar. A missão era clara e bem definida. Jesus enxergou o objetivo, montou a equipe, comunicou, instruiu e encorajou os envolvidos. Tudo isso para que considerassem a importância da missão para a qual estavam sendo escolhidos.

Assim como Jesus, o líder precisa orientar sua equipe e conduzi-la à visão que Deus lhe deu. É função do líder direcionar a obra, isto é, definir metas em cada etapa, o papel de cada um no processo e acompanhar todo o andamento da missão, não deixando que as coisas ocorram ao “acaso” ou no improviso.


5. Jesus avaliou o trabalho

O feedback, ou a reação dos envolvidos nos processos — locutores, interlocutores e receptadores — é fundamental para o sucesso. Sem avaliar os resultados de cada etapa, corre-se o risco de desperdiçar informações importantes para as próximas execuções. Em pelo menos duas ocasiões, Jesus reagiu ao comportamento dos discípulos e deixou claro uma opinião sobre os fatos. Vejamos:

• “Roguei a teus discípulos que o expelissem, mas eles não puderam. Respondeu Jesus: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco e vos sofrerei? Traze o teu filho” (Lc 9.40,41).

• “Então, regressaram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome! [...] Naquela hora, exultou Jesus no Espírito Santo e exclamou: Graças te dou, ó Pai [...] E, voltando-se para os seus discípulos, disse-lhes particularmente: Bem-aventurados os olhos que vêem as coisas que vós vedes” (Lc 10.17, 24).

Esses dois momentos se referem ao mesmo assunto: expulsão de demônios. Em um caso, Jesus repreendeu os discípulos por não terem conseguido expulsar, no outro, eles se surpreenderam pelo fato de os demônios se submeterem.

Um dos objetivos de avaliar a equipe é descobrir onde é preciso concentrar nossos ensinamentos. A avaliação é um meio, não um fim. Deve ser relativa ao objetivo desejado, mas observa também as habilidades e as atitudes em evidência no grupo. Avaliar é essencial tanto para reforçar o que é positivo como para punir o que é negativo, resultando em ajustes. Perceba que Jesus em um momento reprovou, mas no outro, aprovou o comportamento da equipe — o que evidencia sua capacidade de olhar qualidades e defeitos com a mesma intensidade.

6. Jesus incentivou sua equipe

“Ninguém há que tenha deixado casa, ou mulher, ou irmãos, ou pais, ou filhos, por causa do reino de Deus, que não receba, no presente, muitas vezes mais e, no mundo por vir, a vida eterna” (Lc 18.29,30).

O maior incentivo de quem serve deve ser agradar o Senhor. Não há alegria maior para um servo do que sentir que Deus está feliz com suas atitudes e trabalho. Por isso, creio que o maior incentivo de quem serve é que se permita que ele sirva mais.

Incentivar a equipe é estar atento à satisfação de todas essas diferentes necessidades das pessoas. Uma organização ou agrupamento não deve pretender suprir todas as necessidades de alguém, mas deve ser sensível para conhecer o estágio em que cada um se encontra e procurar fazer o melhor para ajudar cada pessoa em seu momento de vida.

Estes seis princípios observados na vida de Jesus, durante a formação de sua equipe, podem e devem ser perseguidos pelos líderes. Imitar Jesus abrange todos os aspectos de seu caráter perfeito e seu procedimento exemplar. Nele não havia pecado, por isso, tudo o que pudermos observar é digno de ser imitado. Devemos sempre aprender com o nosso Mestre!

O autor é diretor do Instituto Jetro. www.institutojetro.com
Do ICP

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